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 NÃO PERMITAMOS QUE MILHARES DE ELEITORES SEJAM TRATADOS COMO BOIADA À VENDA.

“Vereadores e lideranças comunitárias faturam alto negociando os votos que eles dizem ter” (Jornal o Norte-S. Política - Pg. 03, João Pessoa, 22 de agosto de 2010).
 "Eleitores vendidos como boiada” (Jornal o Norte- S. Política - pg. 03. João Pessoa, 22 de agosto de 2010).
             
Fazer dos eleitores mercadoria, digo sem medo de errar,  é o cúmulo do absurdo, uma tragédia ético-moral, que fere os princípios cristãos e democráticos; uma afronta gravíssima a Deus, já que  todo ser humano é sua imagem e semelhança, e à dignidade da pessoa humana
             Tratar os eleitores pobres, excluídos, marginalizados, sofridos, analfabetos ou semi-analfabetos dessa forma, é um ato ignominioso, cruel, desumano. Diria que é a pior forma de escravidão. Quem assim o faz, não tem sentimento humano e nem tão pouco, compromisso com uma sociedade justa, fraterna e solidária, onde todos possam viver com dignidade. E essa dita sociedade será fruto de verdadeiras plataformas políticas, propostas e executadas por lideranças políticas imbuídas dos mais altos valores éticos, humanos e evangélicos. Esses são os verdadeiros homens e mulheres de espírito público.
               Que nós, pastores do povo- padres, religiosos, pastores evangélicos, cristãos comprometidos com a fé-e demais irmãos de diferentes credos, defendamos com garra e determinação, o povo de Deus, para que não seja tratado como boiada, ou objeto comercial: venda de voto. Se assim não o fizermos, iremos responder diante de Deus, por pecado grave de omissão.    
    Ao FOCCO, fórum de combate à corrupção, haja, através de suas instituições membros, como Ministério Público Eleitoral, Justiça Eleitoral, Policia Federal e outros órgãos, com rigor contra aqueles que inflige a lei de combate à corrupção: Lei 9.840/99. O mesmo apelo é dirigido ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.   
     O FOCCO, indubitavelmente, vem fazendo um grande trabalho de combate à corrupção, como também orientando os eleitores para que votem com responsabilidade, escolhendo seriamente seus futuros representantes. A essa nobre instituição, na pessoa do seu coordenador Rainério Rodrigues Leite, nossos parabéns!
        Que a Sociedade, através dos seus segmentos representativos, faça valer seu papel fiscalizador, para que o exercício da cidadania seja exercido com liberdade, transparência, honestidade e, acima de tudo, com muita democracia.
              A Imprensa da Paraíba é merecedora de aplausos por todos os paraibanos, pois vem cumprindo seu papel democrático denunciando veementemente os abusos eleitorais, que ora vêm acontecendo em nosso estado, como também, orientando os eleitores na escolha dos seus candidatos.   


      Nossos radialistas, jornalistas, colunistas, donos sites e de blogs vêm dando uma grande contribuição na formação cidadã consciente dos nossos eleitores. A todos que fazem a imprensa paraibana, nossa gratidão, nossos parabéns


Padre Djacy Brasileiro, membro integrante do FOCCO, representando a Paróquia de Santa Cruz-Pb, no alto sertão.


Em 25 de agosto do ano de 2010.

 VOTO DE CABRESTO E A DIGNIDADE HUMANA

           “Acordem, eleitores paraibanos! Digam em alto e bom som, nas ruas, nas calçadas, na praça, nas escolas, nas igrejas, na roça, no trabalho, onde quer estejam: não venham os políticos e cabos eleitorais, com jeitão de coronéis, obrigar-nos a votar nos seus candidatos com tom de ameaças.Voto de cabresto é coisa do passado! Afinal, não somos boiada. O voto  é livre e secreto. A política coronelista deve ser repudiada. Nada de curral eleitoral. Todo eleitor tem a sua dignidade, sua liberdade e sua cidadania.Nem prefeito, nem vereador, seja quem for, é dono de ninguém. Quem manda no voto é o próprio  eleitor”(Cartilha formando consciência política: acordem, eleitores paraibanos!).

Infelizmente, ainda funciona, de forma “modernizada” ou camuflada, em muitos lugares do nosso estado paraibano, a cultura miserável do voto de cabresto, ou seja, o famigerado curral eleitoral. Uma realidade daninha, que agride a dignidade humana na pessoa do (a) eleitor (a). Uma praga tão enraizada na mente e no coração de todos aqueles que buscam a todo o custo o poder pelo o poder, que só será extirpada à custa de um trabalho serio de politização, envolvendo diversos segmentos representativos da sociedade.

Quem são os beneficiários dessa maldita cultura? São todos aqueles que não têm compromisso com a população, que não têm projeto político voltado para o coletivo, de modo particular, para a camada mais pobre. Quando estão no exercício do mandato, sua preocupação não é buscar soluções para os graves problemas sociais que atingem a maioria do povo, como desemprego, violência, falta de moradia, precariedade no sistema de saúde e educação, fome, miséria, sede, exclusão social. Sua política gira em torno do seu eu, de sua família, do seu grupo. Que os pobres se virem com seus eternos sofrimentos do dia a dia.            Esses profissionais da política visam um único projeto: chegar ao poder, e dele desfrutar os privilégios que lhe são inerentes. Não foi à toa que no passado recente, muitos lutaram, brigaram e gastaram soma vultosa de dinheiro  para perpetuarem-se poder. Para isso, bastava ter poder econômico e político.  Hoje, não é diferente! Há muitos habilidosos que desejam a todo o custo estar permanentemente no poder, usando o mesmo artifício: encabrestando o povo.

                Em certas cidades, as lideranças políticas manipulam a consciência do (a) eleitor (a), fazendo verdadeiro terrorismo psicológico: Assim diz o prefeito, o vereador: quem não votar no meu candidato vai ser demitido do seu emprego ou transferido para trabalhar em lugar distante da cidade. Também: aquele que não votar onde eu mandar, não me procure mais, quem quiser receber assistência tem que seguir minhas orientações. Ai do eleitor ou eleitora que não votar nos candidatos desses “coronéis”, pois, depois da eleição, ”o cancão vai piar”, para infelicidade desses pobres cidadãos.

                E o pior de tudo isso, é que esses espertos, que vivem da politicalha, fazem questão de manter o povão na eterna dependência. Quanto mais dependente, melhor. Ora, faz parte do jogo da política interesseira, manter o povo na dependência e na alienação política. Quanto mais alienado, melhor. Afinal, povo alienado é tratado como boiada ou massa de manobra. Quanto mais “amansado”, melhor para encabrestá-lo. E isso sempre foi assim neste País, nesta Paraíba. E  por quê? Porque uma gente assim, não questiona, não cobra, não reivindica, não tem consciência de sua própria cidadania. Quando sua comunidade recebe algum beneficio, diz: que prefeito bom, que deputado maravilhoso, trouxe isso para nós. Ele é chamado então de homem muito caridoso. Caiu do céu! O eleitor assim, não vê como uma obrigação do seu representante, e sim, como uma caridade, um favor. Afinal, Por que educação nunca foi prioridade neste País, nesta Paraíba? Todos sabem o motivo: manter o povão ignorante.

                Nestas eleições, muitos representantes políticos, com seus famosos cabos eleitorais,  vão fazer do seu reduto um verdadeiro curral eleitoral. Quem manda naquele território são eles. Eles são os donos dos votos. E o povo mais uma vez vai ser  tratado feito boiada, ou como animal encabrestado. E não resta dúvida, são os pobres os mais vulneráveis, as maiores vítimas dessa política de encabrestamento. E volto a repetir: quanto mais dependência e alienação política, como também religiosa, melhor.

                Não nos esqueçamos que por trás de tudo isso, rola muito dinheiro e interesse pessoais. Aí entra a política do toma lá dá cá, ou, também: é “dando-se que se recebe”. E o pobre do eleitor torna-se, inconscientemente, objeto de negociação.

                E a dignidade humana, onde fica? Onde está o respeito à consciência e a liberdade do (a) eleitor (a)? Será que o ser humano pode ser objeto de manipulação? Será que esses ditos “coronéis”, muitos deles se dizem cristãos, não estão na contra mão da ética e da moral cristã? Ora, encabrestar a liberdade de quem quer que seja é, i ndubitavelmente, uma ofensa grave a Deus, pois, cada ser humano é sua imagem e semelhança, logo é pecado encabrestar seus filhos amados pelos quais Jesus deu sua vida: “eu vim para que todos tenham vida”. São Tiago diz claramente: “para a liberdade é que cristo nos libertou (Gál 5,1). E os Bispos, no documento de Puebla, dizem que “toda violação da dignidade humana é injuria ao próprio Deus, cuja imagem é o homem” (306).

                O papa João Paulo ll, assim expressou: “Deus nos mostrou de modo insuperável como ama cada homem, e com isso lhe confere uma dignidade infinita (Doc de Aparecida, 388). Baseado nesses pressupostos, podemos afirmar sem medo de errar, que fazer do povo boiada é pecado, e quem  assim o faz, deve pedir perdão a Deus, o autor da vida.

Em nome da fé cristã, que defende a todo custo a dignidade da pessoa humana, faz-se necessário um trabalho de politização voltado para esses filhos humildes de Deus, a fim de libertá-los dessa situação de ignorância política, conseqüentemente, do famigerado curral eleitoral. Libertados e providos de consciência crítica, votarão com responsabilidade, maturidade, de forma livre e sem medo. E o melhor: defenderão sua dignidade de pessoa humana, e farão valer sua cidadania lutando pelos seus direitos inalienáveis.

                Com essa postura cidadã democrática, a cultura do voto do cabresto haverá de desaparecer, dando lugar à liberdade de escolha, sem coação, constrangimento, pressão. E deixarão de ser tratado como massa de manobra ou boiada. Afinal, o povo só será feliz quando for livre. Pois, liberdade política é sinônimo de escolha sem coação, sem pressão; como também, de conquista, de luta, de independência. Com relação a essa questão, os Bispos da América latina afirmaram: “a liberdade implica sempre aquela capacidade que todos temos em princípio, de dispor de nós mesmos...”(Doc. Puebla, 321).

                Tudo isso pode acontecer? Não se trata de utopia? A liberdade ou a dignidade humana vai ser de fato, respeitada? Os eleitores serão livres para votar conforme sua consciência? Vai sim, desde que ,repito,façamos corajosamente esse trabalho de conscientização. É claro que o resultado virá, mas de forma gradual. É preciso um pouco de paciência histórica, pois, a cultura coronelista, que resiste ao tempo, vai sendo extirpada aos poucos.

                Para todos aqueles que sem nenhum escrúpulo, usando de sua prepotência, arrogância e poder, encabrestam os cidadãos, numa atitude de agressão à dignidade humana, meditem estas palavras proféticas: “professamos, pois que todo homem e toda mulher,por mais insignificante que pareçam,têm em si a nobreza inviolável que eles próprios e os demais devem respeitar e fazer respeitar, incondicionalmente” (Puebla 317).

                Em síntese, quem tem coragem de obrigar o (a) eleitor (a) a votar no seu candidato ou candidata, sob ameaça, pressão, constrangimento, está distante do espírito democrático e, sobretudo, do Evangelho que diz: “amai-vos uns aos outros”. Ora, amar o próximo é tratá-lo com dignidade, é respeitá-lo, é ajudá-lo, é lutar para que o mesmo viva bem e seja feliz. E para o cristão, o amor é o passaporte para a eternidade. Afinal, os políticos, que amam loucamente o poder, também morrem, e vão ser julgados conforme suas atitudes terrenas.

Padre Djacy Brasileiro.

 Cartilha de Orientação Política

 Baixe a cartilha  Aqui

 

 Padre Djacy Brasileiro

 TENHO VONTADE DE MORRER

Foi ontem, na minha paróquia, visitando famílias na zona rural, que para minha surpresa e emoção de pastor, ouvi, bem pertinho de mim, estas tétricas palavras de uma mãe machucada pela dor do sofrimento: “padre Djacy, às vezes tenho vontade de morrer, de sumir”. Enquanto isso, as lágrimas teimosas banhavam seu rosto envelhecido não pela idade, mas pela cruz pesada do sofrimento do dia a dia.

            No sertão é assim. O sofrimento causado pela fome é uma realidade constante. Sensacionalismo? Querer aparecer-me, como dizem alguns? Que nada! Não falo porque ouvi dizer, mas porque, na condição de pastor, vejo de perto esse drama vivido por tantas famílias sertanejas. Como é triste, então, presenciar cenas assim. Meu coração de sacerdote estremece não de emoção, de pena, mas de revolta. Pois, enquanto, os filhos de Deus padecem as mais horrendas tribulações, nossos ditos políticos estão brigando com unhas e dentes. Brigando na defesa da vida do povo? Não! Brigando pelo o poder. O povo é somente um detalhe.

            Na manhã do sábado passado, dia 27, senti uma revolta tremenda. Parecia que meu coração iria sair pela boca. Revolta? Sim, revolta! Conversando com algumas mães, no interior de certa casa, uma delas disparou serenamente: “padre Djacy, tenho vontade de morrer...” e perguntei para aquela mãe sofrida por que motivo e ela, com a voz embargada, dizia-me: “padre, é tão triste não ter o que dar para meus filhos; é triste amanhecer e saber que nada teremos para comer. – “Como mãe, seu padre, isso é doloroso, pois só quem passa por isso, é quem sabe o sofrimento”. Nessa hora, tive ,repito, nojo, ojeriza, pavor à classe política desta Paraíba, que não briga na defesa da dignidade do povo, mas somente visando  o poder com suas estrondosas mordomias,regalias....e diabo a quatro.

            Enquadremos essa realidade supracitada, no contexto da semana santa, e assim, podemos tirar nítidas conclusões cristãs: fé e política têm tudo a ver. Assino embaixo!

            Estamos na semana santa. Tempo forte. Tempo para nós refletirmos sobre a paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, o Libertador. Nessa reflexão cristã, podemos pensar: por que Jesus fora assassinado? Quais as causas? Por que disseram: matemos esse homem, pois ele é um agitador? Quem o matou? Por que Jesus dissera: Eu vim para que todos tenham vida? E também: bem aventurados os que passam fome, os pacíficos (amansados), os perseguidos por causa da justiça? Foi uma morte alheatória, sem causa, sem sentido? Qual era o contexto histórico, quando Cristo defendia  os pobres,os excluídos,os deserdados da vida? Cristo posicionara-se na contra mão do poder por acaso? Chamara o governador Herodes de raposa. Por quê? E por que Jesus olhando para aquela multidão faminta, marginalizada, sem nenhuma perspectiva de vida, falara: tenho pena deste povo, pois é como ovelhas sem pastor (sem lideranças)? 

            Uma coisa é certa: mataram a Jesus de Nazaré porque ele foi de encontro a um sistema político-religioso opressor, excludente... E o seu grito estridente na cruz meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes continua ecoando na boca de milhares de sertanejos, que, pungentemente, clamam por pão, por água, por ponte, por emprego, por segurança, por saúde, por vida, por dignidade. Esse grito clamoroso do profeta da Galiléia (a Galiléia, no tempo de Jesus, era como se fosse o Nordeste. Uma região extremamente pobre, miserável. É lá, que Cristo vive o seu ministério profético. E a cidade de Nazaré, cidade de Jesus, está inserida nessa região. Uma região discriminada. É tanto que há essa cínica pergunta: “de Nazaré pode vir alguma coisa boa”? Era com relação a Jesus, o nazareno) é o grito dessa mãe sertaneja ,que chorando, dizia-me: “padre, tenho vontade de morrer”.

            Enquanto Jesus continua a morrer na pessoa de cada irmão que passa fome, que vive na miséria, nossos santos e heróicos políticos (com exceção) estão aí, nos chiques restaurantes, ou na praia, em suas mansões, tomando wisque importado, discutindo conchavos políticos, como ganhar as eleições, como será seu marketing político eleitoral, e como conquistar o voto dos miseráveis. Menos o meu. Claro!

            -Tenho vontade de morrer! Disse uma pobre mãe.

            -Meu Deus, meu Deus por que me abandonastes? Gritara Jesus no alto da cruz.

 De um lado, uma mãe chorando, implorando clemência, de outro, o Filho de Deus, sendo assassinado por colocar-se contra os poderosos prepotentes e arrogantes, que massacravam os pobrezinhos de Javé.

            Para uma boa reflexão nesta semana santa, ouça, com o coração voltado para o cristo crucificado, e essa pobre mãe, a música: Pai nosso dos Mártires (veja no you tube).

Padre Djacy Brasileiro

 Cartinha - Curtindo a vida sem drogas

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     Padre Djacy Brasileiro

 GRITO DE ALERTA: IMINÊNCIA DE SECA

            Início do mês de março e inverno nada. Consequentemente, os sertanejos começam a entrar em pânico. São muitas as lamentações!

            As chuvas, que caíram na região das minhas Paróquias de Santa Cruz e Lastro, região de Sousa – Pb, foram mínimas e mesmo assim, em espaço de tempo demorado. Andando pela zona rural, como de costume, tenho presenciado a lavoura e a pastagem murchando, se definhando. Segundo alguns agricultores, tudo está perdido. Muitos esperam chover, para fazer novas plantações.

            A cada dia que passa, percebo que a situação vai ficando dramática: Sol escaldante, calor insuportável (grande risco para as crianças e pessoas idosas). O dia parece ser uma fornalha ea noite, o sertanejo olha para o céu, e nenhum sinal de esperança. Nesta madrugada, primeiro de março, vejo o céu limpo, sem relâmpago, sem nuvens. Somente o clarão da lua.

            .Este é meu pungente grito de alertas às autoridades do Estado: Criar um plano de emergência, para socorrer os sertanejos numa eventual seca, é imprescindível. O governo tem que está atento para o que vem acontecendo na região do sertão. Não deixe para última hora, porque poderá ser fatal.

            Não quero ser profeta de mau agouro, só quero dizer que, tenho medo de que algo muito sério venha assolar a referida região, no caso, uma catástrofe natural, como uma grande seca.

            Faço um veemente apelo, no sentido de que os políticos esqueçam suas tresloucadas brigas pelo o poder, e voltem-se para o problema da estiagem que começa assolar o sertão. E que a imprensa desperte os governantes para essa grave situação.

O clamoroso grito de alerta está sendo feito.

                                                                       Santa Cruz,   março de 2010.

Padre Djacy Brasileiro, em plena madrugada de março, com muito sono, pedindo a São José que interceda pelo o sertão.

 PARA O CRISTÃO LUTAR É PRECISO

Que todos nós, cristãos, tenhamos consciência que o verbo lutar, no âmbito cristão, deve ser uma constância na nossa caminhada histórica. Pois, é a luta por um mundo melhor, onde a cultura da vida prevaleça, que faz com que nossa vida, tão efêmera, tenha sentido e mais ainda, agrade ao Deus da vida, que disse através do seu filho Jesus: “eu vim para que todos tenham vida”.

            Num mundo marcado por tanta desumanidade, onde os pobres são tratados como coisas, relegados e maltratados, os cristãos que se dizem seguidores de Jesus Cristo, O Jesus da Galiléia, não podem viver de braços cruzados, numa atitude passiva, cômoda, encastelados no seu mundinho ou somente preocupando-se em agradar a Deus com seu devocionismo ingênuo ou seu radicalismo religioso, apegando-se exacerbadamente ao moralismo, às leis humanas e a um espiritualismo vazio. Viver nessa situação cômoda, seria entrar na contramão do Evangelho, que nos convoca a viver intensamente a fé de forma atuante, histórica e libertadora. Aliá, São Tiago é muito categórico ao dizer: “fé sem obra ela é morta”. O próprio Jesus disse: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será salvo, mas, sim aquele que faz a vontade do meu Pai”.

         Para esse tipo de cristãos reacionários, acomodados, apegados a letra morta da Bíblia e possuidores de uma fé alienante, sem vínculo com o chão da história, ou seja, fé sem ação, sem compromisso histórico, descomprometidos com o Reino, visando somente a vida após morte, esquecendo que o céu tem seu começo nesta vida,quando os pobres vivem com dignidade ,com sua plenitude na escatologia, pesam as palavras do profeta Jesus: “Ai de vós fariseus hipócritas...”

Ora, se esta sociedade é demasiadamente marcada por tantas injustiças cometidas contra os filhos humildes de Deus, afinal, qual nossa missão de cristãos, que tanto afirmamos amar a Cristo?  É fazer como ele fez, anunciando e denunciando, ou simplesmente ficar na letra morta do Evangelho, nos louvores, nas palmas pra Jesus e apegando-se, a princípios humanos ou normas jurídicas? É ficar no comodismo dos cultos embelezados, coloridos, com seus atrativos estéticos, porém vazio de sentido? Aliás, sou obrigado a confessar na condição de cristão: muitos de nós, que assumimos certa função hierárquica, quer na igreja, na comunidade, nos preocupamos muito mais com normas rígidas, irredutíveis; com o moralismo ultrapassado ,fora do contexto,onde tudo é pecado e com a igreja tijolo.E com relação a este último, digo com muita convicção: igreja pedra é ,muitas vezes, o centro de nossas preocupações em detrimento da Igreja povo,da Igreja gente.

 Para muitos cristãos, que se dizem apaixonados por Jesus, o mais importante é trabalhar dia noite para fazer do templo, prédio, uma verdadeira imponência, esquecendo que o verdadeiro templo, é o Cristo presente em cada pessoa humana: “estava com fome e me deste de comer; estava com sede e me deste de beber...” E há, também, uma preocupação por parte de muitos ministros ditos de Deus, no tocante o embelezamento do culto: gastam-se dinheiro e mais dinheiro com roupas para o culto, incenso e outros componentes. Enquanto isso, o Cristo clama pungentemente pela boca de milhares de miseráveis: quero pão, água, roupa, casa, salário, terra, dignidade.

            Não foi por acaso que Deus falou por meio do profeta Jeremias: “Se realmente melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se realmente praticardes o direito cada um com seu próximo, se não oprimirdes  o estrangeiro,o órfão e a viúva...então eu vos farei habitar neste lugar.(Jeremias 7,3ss.).” Em síntese, para o Deus da vida,o Deus dos  pobres, o verdadeiro culto que lhe agrada é livrar o oprimido das garras da injustiça.

 Ser cristão e não ter coragem para assumir de forma incondicional, radical a luta em defesa da justiça para os pobres, não passa de mero farisaísmo, hipocrisia com direito a repreensão de Jesus: “afastai-vos de mim maldito, por que tive fome, sede, doente, nu, abandonado, injustiçado, excluído, marginalizado e não olhastes para mim”. “Ide malditos para o fogo eterno” (Mt, 25,31ss.).            

Pelo visto, o inferno estar cheio dessa gente.

Padre Djacy Brasileiro

AOS GARIS DA MINHA PARAÍBA, MEU CARINHO.


Mais que absurdo, vergonha, tristeza e constrangimento, meus irmãos garis, homens e mulheres de ação, serem discriminados por alguém que se diz tão moralista: “isto é uma vergonha”!

Fiquei chocado com tamanha discriminação. Como é triste ver meus irmãos tão dignos, tão sérios, tão dedicados ao trabalho pesado, serem maltratados, humilhados, discriminados. Sinto-me profundamente revoltado. E o pior, a gente não vê nenhuma reação por parte dos segmentos representativos da sociedade contra essa aberração, essa atitude covarde, desumana e anticristã. Sabe o porquê? Porque as vítimas são pobres, de classe social excluída, marginalizada pela sociedade dita elitista. Então, não há repercussão.

Cadê as vozes proféticas em defesa dessa classe tão marginalizada? Onde estão os que defendem os direitos humanos? Cadê a reação dos defensores da cultura da vida? O que dizem os padres, os pastores, os estudantes, os políticos, os profissionais liberais, a dona de casa, a respeito desse ato abominável? Silêncio total. Penso: se fosse com uma pessoa famosa, importante, de influência, o cancão já teria piado. O mundo teria ido de água abaixo. Coitados dos pequenos, dos indefesos, dos sem vez e sem voz. Mas uma coisa afirmo, quem humilha será humilhado e quem é humilhado será elevado,conforme o Jesus dos pobres.

Afirmo que esses nobres trabalhadores dão exemplo de moralidade, de virtude e de dignidade quando, ainda de madrugada, com garra e determinação pega a vassoura, a pá e a carroça para trabalhar sem medir esforços e sacrifícios.É trabalho pesado,sofrido.Por longo período do dia lá estão eles,suados,com sede e às vezes, com fome, fazendo o que os “narizes empinados” não querem fazer nem no pensamento. São verdadeiros heróis.São verdadeiros trabalhadores que mereciam ganhar muito bem,afinal, seu trabalho é tão importante, tão necessário ,quanto o trabalho do médico, do juiz, do padeiro, do professor, do dentista,etc.Ai de nós, se não fossem esses heróis da limpeza urbana..

Essa gente que discrimina esses trabalhadores, não tem noção de respeito ao próximo e nem a Deus. Considera-se o máximo. Vive como se fosse imortal. Aliás, há muitas pessoas ditas importantes, que só pisam no chão porque é o jeito. Não têm consciência de sua limitação humana e nem se toca, de que são feitas de carne e ossos. Esses semi-deuses são tão limitados quantos os pobres. Basta uma dor de barriga e já está correndo para o banheiro.E se passar um dia sem tomar banho, a catinga toma conta.

Até digo, que nossos queridos garis vivem a limpar o lixo produzido por esses semi-deuses. Ai se não fossem os trabalhadores da rua, essa gente nojenta iria se afundar no lixo, para alegria das moscas.

Pergunto: se essa gente se sente tão importante, por que produz lixo? Por que fede tanto? Não usa banheiro, por acaso? São diferentes dos pobres.

Vocês queridos garis, meu carinho, meu amor e admiração. E digo com muita convicção, se alguns os discriminam, milhões e milhões de verdadeiros humanos cristãos ou não, os têm em grande estima e consideração. Parabéns pelo nobre e significativo trabalho. Precisamos de vocês, afinal, o que seria de nós e dessa gente arrogante, vaidosa, orgulhosa e importante, se não fosse o trabalho laborioso de todos vocês, queridos irmãos? Por isso, vai o meu apelo no sentido de que cada prefeitura lhes conceda um ganho à altura do seu trabalho, para viver com muita dignidade.Nesta luta em defesa da dignidade da categoria e por salário digno, contem com meu apoio profético. Estou com vocês. Vocês são maravilhosos, lindos, cativantes.

Se eu tiver de pegar carona para ir para o céu, não buscarei outra a não a carona de um irmão gari. Não tenho dúvida, estes queridos trabalhadores, humilhados e maltratados têm um lugar certo lá no céu.

De pé, comovido, meu aplauso a todos vocês queridos trabalhadores.

                              Padre Djacy Brasileiro, apaixonado pelo povo sofrido de Deus.

  MENSAGEM DE ESPERANÇA

O tema central deste meu último artigo do ano de 2009, dirigido aos meus leitores, que acreditam na minha coerência cristã, trata-se sobre o que está na crista da onda, neste final de ano: a esperança de um mundo melhor. Eu diria: A esperança de Paraíba melhor.

Não quero ser prolixo, enfadonho, até porque neste tempo de festa, de encontros e reencontros, as pessoas estão numa correria tremenda.Por isso,na brevidade da escrita,quero ser sincero, realista, falando o que mais desejo que aconteçam neste pedaço de chão brasileiro,que é minha sofrida e esquecida Paraíba.

Passei o ano todo expondo os problemas sérios, graves que afetam a vida do povo do meu país, da minha Paraíba. Agora, exponho o que mais desejo para esse mesmo povo que carrega o fardo pesado da vida sofrida. Aliás, sou pastor, e falo como pastor que conhece seu rebanho. Um dia Jesus disse: “Tenho pena deste povo, que é como rebanho sem pastor”.

Então, eis o que mais desejo para minha “Paraíba masculina, mulher macho, sim, senhor!”.

1- Que o povo seja liberto da alienação política, e assim sendo , com sua consciência critica,seja participativo e viva de olhos abertos para a realidade que o cerca;

2- Que o povo assuma sua cidadania e assim, aprenda a lutar pelos seus direitos inalienáveis, como o direito à saúde, educação, segurança, emprego, etc.;


3- Que não se deixe enganar por discursos hipócritas, demagógicos, nojentos de muitos politiqueiros desavergonhados;

4- Que o povo não fique mais calado, acomodado, com espírito determinista ou fatalista, esperando que as coisas aconteçam de cima para baixo;

5- Que o povo sofredor, no próximo ano, dê um cartão vermelho aos candidatos com ficha suja;

6- Que a corrupção desapareçam de todas as esferas do poder público: legislativo, executivo e judiciário e com isso, o dinheiro público seja aplicado devidamente em favor de todos, mas de modo especial, às classes menos favorecidas;

7- Que o povo aprenda a dizer um não sério e responsável à elite política, que só sabe tirar proveito dos pobres, dos miseráveis...;

8- Que os governantes se voltem para a camada mais pobres, implantando verdadeira políticas públicas, não assistencialismo, visando combater as causas da miséria, da fome, da violência...;

9- Que nenhum paraibano passe fome. Afinal, a fome é causa de muitos males;

10- Que o povo tenha direito a uma saúde e educação de qualidades;

11- Que o povo pobre, sofredor seja tratado com muito respeito, com muita dignidade pelas autoridades constituídas deste pedaço de chão nordestino, que é a Paraíba;

12- Que a justiça social possa falar mais alto neste Estado marcado por tanta violência generalizada contra os pobres, os pequenos, os excluídos...;

13- Que os pobres sejam tratados com muito respeito nas diversas repartições públicas do estado e do município, sobretudo nos hospitais;

14- Que nenhum pobre morra nas filas dos hospitais;

15- Que a fé cristã seja instrumento de libertação e não de alienação. Que os padres, pastores e cristãos sérios lutem para fazer com que, em nome da fé, o povo saia de uma situação de miséria, fome, desemprego;

16- Que as igrejas cristãs preguem um Jesus Cristo libertador, comprometido com os pobres deste Estado;

17- Que os cristão, os não-cristãos e ateus, em nome do amor, se dêem as mãos na luta contra o cultura de morte,que assola esta sociedade hodierna;

18- Que o Reino de Deus torne-se uma realidade concreta e existencial para a felicidade do povo marginalizado desta querida Paraíba.

Amém, amém, amém!

                     Feliz e abençoado natal, com muita conversão e comida na mesa de todos.

                            Deus seja louvado neste tempo de esperança renovada. Amém!

                                                             Padre Djacy Brasileiro

 

  ALIENAÇÃO RELIGIOSA

Nunca vi, durante toda minha vida de cristão padre, tanta alienação religiosa. Tanta euforia espiritual desvinculada de qualquer compromisso com o verdadeiro Reino de Deus. E por conta disso, avança, em nome da fé cristã, a exaltação ao subjetivismo, dando evasão, com isso, ao emocionalismo. Estamos vivenciando, portanto, não o cristianismo historicizado, contextualizado, comprometedor e libertador, desejado pelo Jesus histórico, mas um cristianismo nas nuvens, descaracterizado na sua essência, um cristianismo alienante, e por isso, muito perigoso. É a era do espiritualismo cristão exarcebardo.

            O cristianismo verdadeiro, puro, compromissado com as causas sociais, com os pobres, os excluídos, os injustiçados, com a vida do povo de Deus, está cedendo espaço para um cristianismo platônico, a - histórico, estéril e inócuo. Agora é uma vivência de fé extremamente conservadora, alienante, reacionária. Longe daquele cristianismo idealizado por Jesus, que vendo a multidão faminta falara: “Tenho pena deste povo, porque é como ovelhas sem pastor”.  Um cristianismo libertador, que visava libertar o povo sofrido das garras dos poderosos, um cristianismo do reino de Deus: reino de justiça para todos: “Eu vim para que todos tenham vida”. Disse Jesus. Jesus é enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres e os pobres são seus prediletos. Eis, então, a missão de Jesus, eis o objetivo do cristianismo.

            No início da religião cristã, as comunidades cristãs viviam profundamente as palavras do Jesus libertador, hoje, no entanto, falam-se de um Jesus descompromissado com os pobres, os excluídos, enfim ,com a justiça social. O Jesus de hoje é anunciado como aquele que cura e faz milagres na vida da pessoa, um Jesus que não está nem aí com as causas sociais que geram a cultura de morte. É o Jesus das promessas de riqueza, de curas, do bem estar pessoal. Não se falam no Jesus que quer que lutemos contra a fome, a miséria, a violência, a exclusão... O culto ou a celebração gira em torno de louvores, orações prolongadas desvinculadas da vida sofrida do povo, aplausos, choros, lágrimas, pula pula, gritaria, chegando às vezes ao histerismo. Até diria, que esses eventos ditos religiosos funcionam muito mais como terapia, como alivio de um espírito stressado. As leituras bíblicas são totalmente descontextualizadas, sem nexos com o contexto da época e com a realidade hodierna. Hoje, a leitura é escolhida de acordo com os problemas pessoais. Funcionam mais com remédio para a alma. As leituras são lidas e interpretadas de modo bem adocicadas e alienantes. Até diria, que não é levado em consideração o contexto social, político, cultural, religioso e econômico da época em quer fora escrito os livros sagrados.

            As músicas cantadas hoje,nem se fala, são totalmente alienantes, voltadas mais para o emocionalismo. Não falam da realidade de milhares de seres humanos que vivem à margem da vida, não fazem nem um nexo entre o Jesus histórico e o seu povo sofredor. O que tenho observado, é que essas músicas não levam as pessoas a tomarem consciência de sua realidade cruel, não conscientizam, pelo o contrário, fortalecem a alienação religiosa e por que não dizer, também política. Ora a alienação religiosa leva o povo a ser conformista, reacionário e cego no que diz respeito a sua própria cidadania. Sabem quem sai ganhando com tudo isso? A elite política. Claro, quanto mais um povo alienado, reacionário, melhor. E assim, esse mesmo povo continua sendo tratado como massa de manobra.

            Enquanto as pregações são alienantes, desencarnadas, fora de contexto; enquanto as celebrações ou cultos são recheados de aplausos, lágrimas, vivas, danças, promessas de curas, milagres, libertação interior; enquanto as músicas são voltadas para o emocionalismo, para as nuvens, levando as pessoas ao comodismo e a alienação, o povão vai, a cada dia que passa, mergulhando no submundo da miséria, da fome, da exclusão social, da cultura da morte. Com isso quero dizer, que um povo alienado, reacionário, acomodado, com visão determinista não questiona, não cobra, não reivindica... Tudo é jogado para Deus, numa dimensão fatalista: “Deus quer assim... então vamos morrer assim”.

 O papel da religião cristão é alienar, impedir que o povo grite, reivindique, fique acomodado, esperando que as mudanças aconteçam a partir do céu, ou fazer o mesmo a ter consciência crítica, a partir de uma fé libertadora, encarnada, historicizada? Onde, afinal, está o verdadeiro anúncio do Reino? O Reino que era o núcleo central de toda pregação de Cristo?

            Agora pergunto: por que prenderam, julgaram e condenaram o Jesus de Nazaré? E por que disseram: “prendamos esse homem, ele anda agitando o povo, é um malfeitor?”.

            Jesus morreu de morte natural, ou foi assassinado pelo sistema opressor da época?  E o que ele fez para merecer esse tipo de morte, que era aplicada aos bandidos?

            Sinceramente, estou cheio de tanta alienação religiosa. Não agüento mais.

            Uma coisa afirmo, sem medo de errar: Enquanto a  alienação religiosa  avança,a  cultura de morte vai tomando corpo para a desgraça do povo de Deus.

            Que Deus me dê a graça da sabedoria e do discernimento, para não me enveredar por esse caminho tão inócuo, que não agrada ao Deus da vida, que disse: “eu vi,eu vi a miséria do meu povo que está no Egito.Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores;pois eu conheço suas angústias.Por isso desci a fim de liberta-lo da mãos dos egípcios,e para faze-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta,terra que mana leite e mel(Ex.3,7ss.)”.

            Para concluir, cito o que o teólogo da teologia da libertação, padre Jon Sobrino falou, no livro descer da cruz os pobre: “Jesus morreu na cruz, não porque Deus exigia o seu sacrifício, mas “por anunciar a esperança aos pobres e denunciar seus opressores” (p.318)”.

Padre Djacy Brasileiro, em 05 de dezembro de 2009.

  DA MORTE NÃO ESCAPA NINGUÉM

“Orai e vigiai, pois, não sabeis nem o dia e nem a hora”. Disse Jesus. Como é notório, todos chegaremos ao final de nossa existência, querendo ou não. É uma realidade transcendental pela qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores, doutos, analfabeto , famosos, latifundiários, presidentes, generais, papas. Não escapa ninguém. Graças a  Deus. Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso, preparem-se.

         Infelizmente, neste mundo muitas pessoas vivem como se não fossem morrer. A cada dia que passa se preocupam mais e mais com status, beleza física, poder em todos os aspectos, notoriedade e com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos, vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, ganhar mais, lucrar mais, para isso, passam por cima da ética, da moral, explorando os pobres,roubando , praticando todo tipo de corrupção. Para essa gente gananciosa, orgulhosa, vaidosa, vale  a sentença bíblica: “Vaidade das vaidades tudo é vaidade”.Para esses semi-deuses, o que importa é o viver no aqui  e agora. O pior, é que esse comportamento ilusório é  praticado por pessoas que se dizem cristãs. São pessoas que muitas vezes freqüentam a Igreja ou o templo, rezam, lêem a Bíblia, se confessam , recebem a Eucaristia e louvam a Deus. Mais que hipocrisia desses cristãos. Jesus para eles diz: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será salvo”.

         Nas missas de exéquias, faço questão de chamar a atenção dos cristãos para a brevidade da vida. E cito muitas expressões bíblicas, tais quais: “Não temos morada permanente neste mundo”; “Não dura muito o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e os ricos igualmente”; “morrem os loucos e também os insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”; “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”; “nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num abrir e fechar de olhos” ; “nós porem, somos cidadãos do céu”; tudo aqui é efêmero....assim, penso preparar meus fiés para o último  instante da vida e seu encontro definitivo com o Pai.

          Percebo que muitas pessoas não levam em consideração a morte que virá, vivendo como se não fossem mortais.Coitados desses pobres humanos. Assim, vivem encasteladas no seu orgulho, vaidades, egoísmo, prepotência, apegada exacerbadamente aos bens materiais. Tanta gente de nariz empinado, que só pisa no chão por que é o jeito. Basta estar num carro novo, importado, ou morar numa mansão para empinar o nariz e desconhecer seus semelhantes, sobretudo quando se trata de pessoas pobres. Meu Deus do céu, pra que tanta besteira, tanto orgulho dessa gente granfina, que fede tanto quanto o pobre, o desvalido. Se o pobre tem dor de barriga, o granfino também tem. Tenho ojeriza a essa gente com esse comportamento anticristão, desumano. Dessa raça, quero distância. Tenho nojo.

         Para que tanto orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição. Quantas pessoas, pelo fato de ganhar bem, morar em mansões, possuidoras de diplomas, de anel de ouro, ter bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade mal falam como os pobres, com os humildes, os pequenos, os descamisados ou excluídos dos seus direitos inalienáveis. Muitas vezes essa gente, que vai morrer, apodrecer, feder tem até nojo de pegar na mão dos seus seu semelhantes, pelo fato de serem pobres. Há patricinha ou mauricinho, que quando está no seu carro importado, mais parece um robô: empina o nariz, endurece a cara, e mal olha para as pessoas. Parece que não é mortal. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia a morte pega esses granfinos  e sua carne vai   apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor venha em seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não tem julgamento por parte de Jesus, que disse: “Ai dos que maltratam os pobres”.

         Uma coisa eu digo e sem medo de errar. O cemitério é o lugar onde todos moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, gente importante de narizes empinados. Pensem num lugar, onde todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério é na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na casa do Pai.        Lembremo-nos da famosa parábola do famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus. Então, reflitamos, antes que seja tarde..

         A morte é justa e vem para todos indistintamente. É o que diz o Salmo 48(49):

          “Ninguém se livra da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu resgate; A isenção da morte não tem preço; não há riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida sem limites e garantir-lhe uma existência imortal. Morrem os sábios e os ricos igualmente; morrem os loucos e também os insensatos; e deixam tudo que possuem aos estranhos”.

         Quero ver os figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os não me toquem, os narizes empinados escapar dessa. “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não estou nem aí.

Padre Djacy Brasileiro

O POVO MORRENDO E A CLASSE POLÍTICA CALADA

Sofrimento, miséria, dor, exclusão social, injustiça, violência, lágrimas e mortes. Eis a cruel realidade que agride a vida de milhares de paraibanos. Só para título de exemplo, cito uma pesquisa recente  que mostra um dado assustador ,que nos chama a atenção:  “  A Paraíba ocupa o 3º lugar no ranking dos estados com maior taxa de insegurança alimentar e nutricional, ficando atrás do Maranhão e Roraima, e no Nordeste ocupa o 2º lugar. E mais, “17,84% da população, que equivale a 637.384 pessoas, passam fome na Paraíba”.   E mais,     “Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, dia 18, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a Paraíba possui a segunda pior distribuição de renda do país, ficando à frente somente do Distrito Federal”.                  

            O cenário é de desolação, sombrio. Sensacionalismo? Emocionalismo? Não! Trata-se de pura realidade. Sou testemunha ocular, pois não moro em frente ao mar, em  edifícios luxuosos, nem tão pouco freqüento restaurantes chiques com as mais deliciosas comidas. Convivo noite e dia com essa gente espoliada, agredida nos seus direitos mais elementares como comida, água, educação... Essa gente sofrida está ao alcance dos meus olhos. Todos os dias a vejo, tanto na zona urbana, como na zona rural. E eles estão aí, gritando pungentemente por vida e vida com dignidade.

            Mas, onde encontram nossos representantes diante desse grito ensurdecedor? Onde estão aqueles que deveriam defender, proteger, libertar esse povo do calvário? O Povo grita por vida, por dignidade e os seus representantes o que fazem? Estão todos preocupados em ouvir esse clamor? Estão buscando implantar políticas públicas de combate à miséria? Afinal, os representantes dessa gente esmagada estão ou não estão preocupados em minimizar o sofrimento desse povo, aplicando corretamente os recursos públicos destinados à educação, saneamento básico, saúde, segurança alimentar, segurança pública, ete?O povo, no momento, está sendo objeto de preocupação, para a classe política?

            Agora respondo sem medo de errar. Primeiro, dou uma gargalhada, depois um suspiro e, logo em seguida, um sentimento de revolta. A resposta é: nossos representantes, se se podemos chamá-los de representantes, estão muito preocupados sim. Mas, essa preocupação não é com o povão, com sua fome, miséria, abandono, e sim, como o poder, com a “botija”. Ora, quem quer perder a “boquinha”? Para isso, estão a todo vapor lutando,brigando para permanecer ou galgar o poder. Então, o que podemos dizer é que hoje, não se falam em outra coisa a não ser em eleição vindoura. Tudo está girando em torno do projeto pessoal: vencer nas eleições para continuar mamando, e que o povo se dane com seus problemas.

Nada de preocupação com a população. Tudo está no esquecimento: fome, miséria, desemprego, violência, morte. Nem sequer a transposição é mais lembrada. Parece que o mal de Alzheimer apoderou-se de nossos representantes. Todos estão esquecidos, esquecidos. Por incrível que pareça, é até um desafio para a medicina, sabem o porquê? , porque só se lembram de uma coisa: eleição. A prioridade agora é a eleição e que os miseráveis se danem com seus problemas.

            É revoltante, pois se ligo o radio, a TV, se abro o jornal ou vejo os portais de notícias, não vejo outra coisa a não ser discussões acirradas em torno das eleições. Parece que não há problemas sérios, gravíssimos na nossa Paraíba. Pois, ninguém fala nada, aqui acolá, aparece uma voz isolada clamando em defesa dos irmãos paraibanos, que noite e dia choram pedindo clemência. Não pedindo assistencialismo, mas políticas públicas capazes de libertá-los de uma situação infra-humana.

            Como padre neste sertão, nesta Paraíba, vejo de perto o drama de milhares de seres humanos. Tanta injustiça contra essa gente espoliada em seus direitos inalienáveis. Diante desse cenário macabro, eu grito: senhores deputados, prefeitos, governador, vereadores, senadores preocupem-se com os problemas da Paraíba, deixem de lado o que pode ser discutido no próximo ano. Será que a vida humana não é prioridade para vocês?  Vocês são surdos que não ouvem o grito dessa gente? Cadê o compromisso com o Estado, com os municípios? Vão trabalhar, em vez de estarem batendo boca ,perdendo tempo .Para vocês ,parece o que importa é somente o poder com seus inúmeros privilégios. Acordem, abram os ouvidos para ouvir o grito de 640 mil paraibanos que passam fome. Saiam do comodismo. Deixem as regalias de lado, os restaurantes luxuosos e coloquem os pés no chão batido, rachado desta Paraíba, para sentir de perto o drama de milhares de paraibanos. Deixem de olhar somente para o próprio umbigo.             Aos deputados, meu recado: Senhores deputados em vez de vocês ficarem preocupados só com entrega de títulos de honrarias a certas personalidade ,em vezes de estarem  preocupados com conchavos políticos, preocupem-se com seu povo que está morrendo.Lutem  por esse  povo.È obrigação de vocês.

            Faço um pedido clamoroso à imprensa: pelo o amor de Deus, volte-se mais para os problemas do Estado. Esqueça essa balburdia política, esse funaré político.

            Meu povo está morrendo! E morrendo, faz sua a voz do profeta das lamentações: “Ó vós, que passais pelo caminho, vede e julgai se existe dor igual, a dor que me atormenta”.

SERTANEJOS NA LUTA PELA UNIVERSIDADE FEDERAL

Utopia, bobagem, perda de tempo, maluquice? Que nada! Lutar pela implantação de uma Universidade Federal no sertão paraibano não é um sonho ou bobagem, já é uma realidade presente na mente e no coração de muitos sertanejos, a exemplo do Professor de Direito da UFCG Joaquim Alencar, que com sua sabedoria, inteligência vem arregimentando adeptos em defesa desse projeto para nosso sofrido e esmagado sertão.

Não nos esqueçamos, que esse sonho pode tornar-se realidade concreta e existencial, quando houver a força da união de todos os sertanejos. Então, nossa luta tornar-se-á bobagem, maluquice para aqueles que não conhecem a realidade nua e crua do sertão; a braveza, coragem e determinação dos sertanejos e desejam que nosso sonho não se concretize. Talvez esses opositores pensem, que somos mais do que malucos, somos um bando de pessoas atrasadas, ignorantes, querendo que caia chuva de gelo em pleno deserto..

Numa lacônica restropectiva, visando atiçar nossa consciência cidadã e cristã, para uma reflexão sociológica crítica e assim, tomarmos gosto por essa luta renhida, confesso que, por muito tempo, fomos humilhados, esquecidos, tratados como coisa ou objeto; tidos como mão de obra barata,por isso, explorados no sul do País; ignorados,vistos como seres inferiores,de inteligência atrofiada; e ainda hoje,muitos nos têm como homens e mulheres que só sabem o que é rapadura , farinha e carne seca.Quantas vezes os filhos do sertão foram tratados com desdém pelos governantes em tempo de seca.O povo sertanejo chamado de “cassaco” era tratado como bicho do mato: eram obrigados a come um arroz miserável chamado buga( nem bicho bruto comia). Em termo de educação, não havia a mínima preocupação em oferecer a essa gente sofrida uma formação intelectual capaz de tirá-los do atraso generalizado. Taxados de atrasados, eram visto como massa de manobra para deleite de uma elite podre, nojenta.E o sertão era visto como terra de gente não “lapidada”.

A partir dessa análise histórica, nós sertanejos, mal vistos e excluídos, temos que dar um grito de libertação, mostrarmos que somos um povo forte, heróico, trabalhador, inteligente e de alto potencialidade intelectual. Por isso, basta de humilhação, de gozação, de exploração. E vamos a luta,pois chegou a hora da redenção sertaneja.E essa redenção histórica no âmbito sócio-político-econômico e cultural passa, notadamente, pelo caminho da educação. Trata-se de uma luta pela criação de uma Universidade Federal no nosso sertão. Pois, afinal, temos toda uma capacidade para fazer funcionar a todo vapor, essa instituição acadêmica. Repito: homens e mulheres de alto gabarito profissional é o que não falta. Ate diria, sem medo de errar, que o sertão é exportador de grandes cérebros em diversas áreas profissionais, brilhando em todo recanto deste País.

Tenho ouvido muito, nas minhas andanças pela capital do Estado, que os sertanejos são os alunos que melhor se esforçam para o estudo. São mais estudiosos, dedicados e não medem sacrifício para realizar o sonho de ter um curso superior. São estrelas brilhando no mundo acadêmico, para orgulho da nossa região. E isso comprova o que tenho afirmado anteriormente. Lamentavelmente, são poucos os que têm a oportunidades de realizar o sonho de freqüentar uma Universidade pública. Até diria,com muita convicção ,que são os filhos da elite ,que tomam os lugares dos pobres nas universidades.E digo: os pobres pagam para os ricos estudarem .

Voltando a Universidade Federal, creio que seja imprescindível que nos unamos em defesa dessa idéia, desse projeto. Pois tudo é possível, quando há união e interesse em torno de uma causa. O advogado e professor de direito Joaquim Alencar está coberto de razão, quando diz ,com muita propriedade, que “apenas 1,6% dos nossos jovens com idade de estar em universidade estão no estudo superior... 98,4% estão excluídos...isso é um crime que clama a Deus”.

Abracemos essa causa, com espírito determinista e persistente, acreditando que um dia, com a nossa luta, à custa de sacrifício, humilhação e gozação, poderemos celebrar a festa da libertação no nosso querido povo sertanejo, pois, educação é sinônimo de progresso, consequentemente, de qualidade de vida. É isso que nós desejamos para a futura geração deste abençoado torrão.

Unamo-nos ao Professor Joaquim e a tantos outros que, por amor ao povo sertanejo, estão à frente dessa empreitada, para o bem e felicidade da nossa futura geração sertaneja..

“Sonho que se sonha só,fica na ilusão,mas um sonho que sonhamos juntos,começa sua encarnação”. Disse Dom Hélder Câmara.

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