NÃO
PERMITAMOS QUE MILHARES DE ELEITORES SEJAM
TRATADOS COMO BOIADA À VENDA.
“Vereadores e
lideranças comunitárias faturam alto negociando
os votos que eles dizem ter” (Jornal o Norte-S.
Política - Pg. 03, João Pessoa, 22 de agosto de
2010).
"Eleitores vendidos como boiada” (Jornal o
Norte- S. Política - pg. 03. João Pessoa, 22 de
agosto de 2010).
Fazer dos eleitores
mercadoria, digo sem medo de errar, é o cúmulo
do absurdo, uma tragédia ético-moral, que fere
os princípios cristãos e democráticos; uma
afronta gravíssima a Deus, já que todo ser
humano é sua imagem e semelhança, e à dignidade
da pessoa humana
Tratar os eleitores pobres,
excluídos, marginalizados, sofridos, analfabetos
ou semi-analfabetos dessa forma, é um ato
ignominioso, cruel, desumano. Diria que é a
pior forma de escravidão. Quem assim o faz, não
tem sentimento humano e nem tão pouco,
compromisso com uma sociedade justa, fraterna e
solidária, onde todos possam viver com
dignidade. E essa dita sociedade será fruto de
verdadeiras plataformas políticas, propostas e
executadas por lideranças políticas imbuídas dos
mais altos valores éticos, humanos e
evangélicos. Esses são os verdadeiros homens e
mulheres de espírito público.
Que nós, pastores do povo-
padres, religiosos, pastores evangélicos,
cristãos comprometidos com a fé-e demais irmãos
de diferentes credos, defendamos com garra e
determinação, o povo de Deus, para que não seja
tratado como boiada, ou objeto comercial: venda
de voto. Se assim não o fizermos, iremos
responder diante de Deus, por pecado grave de
omissão.
Ao FOCCO, fórum de combate à
corrupção, haja, através de suas instituições
membros, como Ministério Público Eleitoral,
Justiça Eleitoral, Policia Federal e outros
órgãos, com rigor contra aqueles que inflige a
lei de combate à corrupção: Lei 9.840/99. O
mesmo apelo é dirigido ao Tribunal Regional
Eleitoral da Paraíba.
O FOCCO,
indubitavelmente, vem fazendo um grande trabalho
de combate à corrupção, como também orientando
os eleitores para que votem com
responsabilidade, escolhendo seriamente seus
futuros representantes. A essa nobre
instituição, na pessoa do seu coordenador
Rainério Rodrigues Leite, nossos parabéns!
Que a Sociedade, através dos seus
segmentos representativos, faça valer seu papel
fiscalizador, para que o exercício da cidadania
seja exercido com liberdade, transparência,
honestidade e, acima de tudo, com muita
democracia.
A Imprensa da Paraíba é
merecedora de aplausos por todos os paraibanos,
pois vem cumprindo seu papel democrático
denunciando veementemente os abusos eleitorais,
que ora vêm acontecendo em nosso estado, como
também, orientando os eleitores na escolha dos
seus candidatos.
Nossos radialistas, jornalistas,
colunistas, donos sites e de blogs vêm dando uma
grande contribuição na formação cidadã
consciente dos nossos eleitores. A todos que
fazem a imprensa paraibana, nossa gratidão,
nossos parabéns
Padre Djacy Brasileiro, membro integrante do
FOCCO, representando a Paróquia de Santa
Cruz-Pb, no alto sertão.
Em 25 de agosto do ano de 2010.

VOTO
DE CABRESTO E A DIGNIDADE HUMANA
“Acordem, eleitores paraibanos! Digam em alto e
bom som, nas ruas, nas calçadas, na praça, nas
escolas, nas igrejas, na roça, no trabalho, onde
quer estejam: não venham os políticos e cabos
eleitorais, com jeitão de coronéis, obrigar-nos
a votar nos seus candidatos com tom de
ameaças.Voto de cabresto é coisa do passado!
Afinal, não somos boiada. O voto é livre e
secreto. A política coronelista deve ser
repudiada. Nada de curral eleitoral. Todo
eleitor tem a sua dignidade, sua liberdade e sua
cidadania.Nem prefeito, nem vereador, seja quem
for, é dono de ninguém. Quem manda no voto é o
próprio eleitor”(Cartilha formando
consciência política: acordem, eleitores
paraibanos!).
Infelizmente, ainda
funciona, de forma “modernizada” ou camuflada,
em muitos lugares do nosso estado paraibano, a
cultura miserável do voto de cabresto, ou seja,
o famigerado curral eleitoral. Uma realidade
daninha, que agride a dignidade humana na pessoa
do (a) eleitor (a). Uma praga tão enraizada na
mente e no coração de todos aqueles que buscam a
todo o custo o poder pelo o poder, que só será
extirpada à custa de um trabalho serio de
politização, envolvendo diversos segmentos
representativos da sociedade.
Quem são os
beneficiários dessa maldita cultura? São todos
aqueles que não têm compromisso com a população,
que não têm projeto político voltado para o
coletivo, de modo particular, para a camada mais
pobre. Quando estão no exercício do mandato, sua
preocupação não é buscar soluções para os graves
problemas sociais que atingem a maioria do povo,
como desemprego, violência, falta de moradia,
precariedade no sistema de saúde e educação,
fome, miséria, sede, exclusão social. Sua
política gira em torno do seu eu, de sua
família, do seu grupo. Que os pobres se virem
com seus eternos sofrimentos do dia a
dia. Esses profissionais da política
visam um único projeto: chegar ao poder, e dele
desfrutar os privilégios que lhe são inerentes.
Não foi à toa que no passado recente, muitos
lutaram, brigaram e gastaram soma vultosa de
dinheiro para perpetuarem-se poder. Para isso,
bastava ter poder econômico e político. Hoje,
não é diferente! Há muitos habilidosos que
desejam a todo o custo estar permanentemente no
poder, usando o mesmo artifício: encabrestando o
povo.
Em
certas cidades, as lideranças políticas
manipulam a consciência do (a) eleitor (a),
fazendo verdadeiro terrorismo psicológico: Assim
diz o prefeito, o vereador: quem não votar no
meu candidato vai ser demitido do seu emprego ou
transferido para trabalhar em lugar distante da
cidade. Também: aquele que não votar onde eu
mandar, não me procure mais, quem quiser receber
assistência tem que seguir minhas orientações.
Ai do eleitor ou eleitora que não votar nos
candidatos desses “coronéis”, pois, depois da
eleição, ”o cancão vai piar”, para infelicidade
desses pobres cidadãos.
E o
pior de tudo isso, é que esses espertos, que
vivem da politicalha, fazem questão de manter o
povão na eterna dependência. Quanto mais
dependente, melhor. Ora, faz parte do jogo da
política interesseira, manter o povo na
dependência e na alienação política. Quanto mais
alienado, melhor. Afinal, povo alienado é
tratado como boiada ou massa de manobra. Quanto
mais “amansado”, melhor para encabrestá-lo. E
isso sempre foi assim neste País, nesta Paraíba.
E por quê? Porque uma gente assim, não
questiona, não cobra, não reivindica, não tem
consciência de sua própria cidadania. Quando sua
comunidade recebe algum beneficio, diz: que
prefeito bom, que deputado maravilhoso, trouxe
isso para nós. Ele é chamado então de homem
muito caridoso. Caiu do céu! O eleitor assim,
não vê como uma obrigação do seu representante,
e sim, como uma caridade, um favor. Afinal, Por
que educação nunca foi prioridade neste País,
nesta Paraíba? Todos sabem o motivo: manter o
povão ignorante.
Nestas eleições, muitos representantes
políticos, com seus famosos cabos eleitorais,
vão fazer do seu reduto um verdadeiro curral
eleitoral. Quem manda naquele território são
eles. Eles são os donos dos votos. E o povo mais
uma vez vai ser tratado feito boiada, ou como
animal encabrestado. E não resta dúvida, são os
pobres os mais vulneráveis, as maiores vítimas
dessa política de encabrestamento. E volto a
repetir: quanto mais dependência e alienação
política, como também religiosa, melhor.
Não
nos esqueçamos que por trás de tudo isso, rola
muito dinheiro e interesse pessoais. Aí entra a
política do toma lá dá cá, ou, também: é
“dando-se que se recebe”. E o pobre do eleitor
torna-se, inconscientemente, objeto de
negociação.
E a
dignidade humana, onde fica? Onde está o
respeito à consciência e a liberdade do (a)
eleitor (a)? Será que o ser humano pode ser
objeto de manipulação? Será que esses ditos
“coronéis”, muitos deles se dizem cristãos, não
estão na contra mão da ética e da moral cristã?
Ora, encabrestar a liberdade de quem quer que
seja é, i ndubitavelmente, uma ofensa grave a
Deus, pois, cada ser humano é sua imagem e
semelhança, logo é pecado encabrestar seus
filhos amados pelos quais Jesus deu sua vida:
“eu vim para que todos tenham vida”. São Tiago
diz claramente: “para a liberdade é que cristo
nos libertou (Gál 5,1). E os Bispos, no
documento de Puebla, dizem que “toda violação da
dignidade humana é injuria ao próprio Deus, cuja
imagem é o homem” (306).
O
papa João Paulo ll, assim expressou: “Deus nos
mostrou de modo insuperável como ama cada homem,
e com isso lhe confere uma dignidade infinita (Doc
de Aparecida, 388). Baseado nesses pressupostos,
podemos afirmar sem medo de errar, que fazer do
povo boiada é pecado, e quem assim o faz, deve
pedir perdão a Deus, o autor da vida.
Em nome da fé
cristã, que defende a todo custo a dignidade da
pessoa humana, faz-se necessário um trabalho de
politização voltado para esses filhos humildes
de Deus, a fim de libertá-los dessa situação de
ignorância política, conseqüentemente, do
famigerado curral eleitoral. Libertados e
providos de consciência crítica, votarão com
responsabilidade, maturidade, de forma livre e
sem medo. E o melhor: defenderão sua dignidade
de pessoa humana, e farão valer sua cidadania
lutando pelos seus direitos inalienáveis.
Com
essa postura cidadã democrática, a cultura do
voto do cabresto haverá de desaparecer, dando
lugar à liberdade de escolha, sem coação,
constrangimento, pressão. E deixarão de ser
tratado como massa de manobra ou boiada. Afinal,
o povo só será feliz quando for livre. Pois,
liberdade política é sinônimo de escolha sem
coação, sem pressão; como também, de conquista,
de luta, de independência. Com relação a essa
questão, os Bispos da América latina afirmaram:
“a liberdade implica sempre aquela capacidade
que todos temos em princípio, de dispor de nós
mesmos...”(Doc. Puebla, 321).
Tudo isso pode acontecer? Não se trata de
utopia? A liberdade ou a dignidade humana vai
ser de fato, respeitada? Os eleitores serão
livres para votar conforme sua consciência? Vai
sim, desde que ,repito,façamos corajosamente
esse trabalho de conscientização. É claro que o
resultado virá, mas de forma gradual. É preciso
um pouco de paciência histórica, pois, a cultura
coronelista, que resiste ao tempo, vai sendo
extirpada aos poucos.
Para todos aqueles que sem nenhum escrúpulo,
usando de sua prepotência, arrogância e poder,
encabrestam os cidadãos, numa atitude de
agressão à dignidade humana, meditem estas
palavras proféticas: “professamos, pois que todo
homem e toda mulher,por mais insignificante que
pareçam,têm em si a nobreza inviolável que eles
próprios e os demais devem respeitar e fazer
respeitar, incondicionalmente” (Puebla 317).
Em
síntese, quem tem coragem de obrigar o (a)
eleitor (a) a votar no seu candidato ou
candidata, sob ameaça, pressão, constrangimento,
está distante do espírito democrático e,
sobretudo, do Evangelho que diz: “amai-vos uns
aos outros”. Ora, amar o próximo é tratá-lo com
dignidade, é respeitá-lo, é ajudá-lo, é lutar
para que o mesmo viva bem e seja feliz. E para o
cristão, o amor é o passaporte para a
eternidade. Afinal, os políticos, que amam
loucamente o poder, também morrem, e vão ser
julgados conforme suas atitudes terrenas.
Padre Djacy
Brasileiro.

Cartilha
de Orientação Política
Baixe
a cartilha
Aqui
Padre Djacy
Brasileiro

TENHO
VONTADE DE MORRER
Foi ontem, na minha
paróquia, visitando famílias na zona rural, que
para minha surpresa e emoção de pastor, ouvi,
bem pertinho de mim, estas tétricas palavras de
uma mãe machucada pela dor do sofrimento: “padre
Djacy, às vezes tenho vontade de morrer, de
sumir”. Enquanto isso, as lágrimas teimosas
banhavam seu rosto envelhecido não pela idade,
mas pela cruz pesada do sofrimento do dia a dia.
No sertão é assim. O
sofrimento causado pela fome é uma realidade
constante. Sensacionalismo? Querer aparecer-me,
como dizem alguns? Que nada! Não falo porque
ouvi dizer, mas porque, na condição de pastor,
vejo de perto esse drama vivido por tantas
famílias sertanejas. Como é triste, então,
presenciar cenas assim. Meu coração de sacerdote
estremece não de emoção, de pena, mas de
revolta. Pois, enquanto, os filhos de Deus
padecem as mais horrendas tribulações, nossos
ditos políticos estão brigando com unhas e
dentes. Brigando na defesa da vida do povo? Não!
Brigando pelo o poder. O povo é somente um
detalhe.
Na manhã do sábado passado,
dia 27, senti uma revolta tremenda. Parecia que
meu coração iria sair pela boca. Revolta? Sim,
revolta! Conversando com algumas mães, no
interior de certa casa, uma delas disparou
serenamente: “padre Djacy, tenho vontade de
morrer...” e perguntei para aquela mãe sofrida
por que motivo e ela, com a voz embargada,
dizia-me: “padre, é tão triste não ter o que dar
para meus filhos; é triste amanhecer e saber que
nada teremos para comer. – “Como mãe, seu padre,
isso é doloroso, pois só quem passa por isso, é
quem sabe o sofrimento”. Nessa hora, tive
,repito, nojo, ojeriza, pavor à classe política
desta Paraíba, que não briga na defesa da
dignidade do povo, mas somente visando
o poder com suas estrondosas
mordomias,regalias....e diabo a quatro.
Enquadremos essa realidade
supracitada, no contexto da semana santa, e
assim, podemos tirar nítidas conclusões cristãs:
fé e política têm tudo a ver. Assino embaixo!
Estamos na semana santa.
Tempo forte. Tempo para nós refletirmos sobre a
paixão, morte e ressurreição de nosso Senhor
Jesus Cristo, o Libertador. Nessa reflexão
cristã, podemos pensar: por que Jesus fora
assassinado? Quais as causas? Por que disseram:
matemos esse homem, pois ele é um agitador? Quem
o matou? Por que Jesus dissera: Eu vim para que
todos tenham vida? E também: bem aventurados os
que passam fome, os pacíficos (amansados), os
perseguidos por causa da justiça? Foi uma morte
alheatória, sem causa, sem sentido? Qual era o
contexto histórico, quando Cristo defendia
os pobres,os excluídos,os
deserdados da vida? Cristo posicionara-se na
contra mão do poder por acaso? Chamara o
governador Herodes de raposa. Por quê? E por que
Jesus olhando para aquela multidão faminta,
marginalizada, sem nenhuma perspectiva de vida,
falara: tenho pena deste povo, pois é como
ovelhas sem pastor (sem lideranças)?
Uma coisa é certa: mataram a
Jesus de Nazaré porque ele foi de encontro a um
sistema político-religioso opressor,
excludente... E o seu grito estridente na cruz
meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes
continua ecoando na boca de milhares de
sertanejos, que, pungentemente, clamam por pão,
por água, por ponte, por emprego, por segurança,
por saúde, por vida, por dignidade. Esse grito
clamoroso do profeta da Galiléia (a
Galiléia, no tempo de Jesus, era como se fosse o
Nordeste. Uma região extremamente pobre,
miserável. É lá, que Cristo vive o seu
ministério profético. E a cidade de Nazaré,
cidade de Jesus, está inserida nessa região. Uma
região discriminada. É tanto que há essa cínica
pergunta: “de Nazaré pode vir alguma coisa boa”?
Era com relação a Jesus, o nazareno) é o
grito dessa mãe sertaneja ,que chorando,
dizia-me: “padre, tenho vontade de morrer”.
Enquanto Jesus continua a
morrer na pessoa de cada irmão que passa fome,
que vive na miséria, nossos santos e heróicos
políticos (com exceção) estão aí, nos chiques
restaurantes, ou na praia, em suas mansões,
tomando wisque importado, discutindo conchavos
políticos, como ganhar as eleições, como será
seu marketing político eleitoral, e como
conquistar o voto dos miseráveis. Menos o meu.
Claro!
-Tenho vontade de morrer!
Disse uma pobre mãe.
-Meu Deus, meu Deus por que
me abandonastes? Gritara Jesus no alto da cruz.
De
um lado, uma mãe chorando, implorando clemência,
de outro, o Filho de Deus, sendo assassinado por
colocar-se contra os poderosos prepotentes e
arrogantes, que massacravam os pobrezinhos de
Javé.
Para uma boa reflexão nesta
semana santa, ouça, com o coração voltado para o
cristo crucificado, e essa pobre mãe, a música:
Pai nosso dos Mártires (veja no you
tube).
Padre Djacy
Brasileiro

Cartinha
- Curtindo a vida sem drogas
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Padre Djacy Brasileiro

GRITO
DE ALERTA: IMINÊNCIA DE SECA
Início
do mês de março e inverno nada. Consequentemente,
os sertanejos começam a entrar em pânico.
São muitas as lamentações!
As
chuvas, que caíram na região das minhas
Paróquias de Santa Cruz e Lastro, região de
Sousa – Pb, foram mínimas e mesmo assim,
em espaço de tempo demorado. Andando pela
zona rural, como de costume, tenho presenciado a
lavoura e a pastagem murchando, se
definhando. Segundo alguns agricultores,
tudo está perdido. Muitos esperam chover, para
fazer novas plantações.
A cada
dia que passa, percebo que a situação vai
ficando dramática: Sol escaldante,
calor insuportável (grande risco para as
crianças e pessoas idosas). O dia parece ser
uma fornalha ea noite, o sertanejo olha
para o céu, e nenhum sinal de esperança. Nesta
madrugada, primeiro de março, vejo o céu
limpo, sem relâmpago, sem nuvens. Somente o
clarão da lua.
.Este é
meu pungente grito de alertas às
autoridades do Estado: Criar um plano de
emergência, para socorrer os sertanejos numa
eventual seca, é imprescindível. O
governo tem que está atento para o que vem
acontecendo na região do sertão. Não deixe
para última hora, porque poderá ser
fatal.
Não
quero ser profeta de mau agouro, só quero dizer
que, tenho medo de que algo muito sério venha
assolar a referida região, no caso, uma
catástrofe natural, como uma grande seca.
Faço um
veemente apelo, no sentido de que os políticos
esqueçam suas tresloucadas brigas pelo o poder,
e voltem-se para o problema da estiagem
que começa assolar o sertão. E que a imprensa
desperte os governantes para essa grave
situação.
O clamoroso grito de alerta está sendo feito.
Santa Cruz, março de 2010.
Padre Djacy Brasileiro, em plena madrugada de
março, com muito sono, pedindo a São José que
interceda pelo o sertão.

PARA
O CRISTÃO LUTAR É PRECISO |
AOS GARIS DA MINHA PARAÍBA, MEU CARINHO. |
|
Mais que absurdo,
vergonha, tristeza e constrangimento, meus
irmãos garis, homens e mulheres de ação, serem
discriminados por alguém que se diz tão
moralista: “isto é uma vergonha”!
Fiquei chocado com tamanha discriminação. Como é
triste ver meus irmãos tão dignos, tão sérios,
tão dedicados ao trabalho pesado, serem
maltratados, humilhados, discriminados. Sinto-me
profundamente revoltado. E o pior, a gente não
vê nenhuma reação por parte dos segmentos
representativos da sociedade contra essa
aberração, essa atitude covarde, desumana e
anticristã. Sabe o porquê? Porque as vítimas são
pobres, de classe social excluída, marginalizada
pela sociedade dita elitista. Então, não há
repercussão.
Cadê as vozes proféticas em defesa dessa classe
tão marginalizada? Onde estão os que defendem os
direitos humanos? Cadê a reação dos defensores
da cultura da vida? O que dizem os padres, os
pastores, os estudantes, os políticos, os
profissionais liberais, a dona de casa, a
respeito desse ato abominável? Silêncio total.
Penso: se fosse com uma pessoa famosa,
importante, de influência, o cancão já teria
piado. O mundo teria ido de água abaixo.
Coitados dos pequenos, dos indefesos, dos sem
vez e sem voz. Mas uma coisa afirmo, quem
humilha será humilhado e quem é humilhado será
elevado,conforme o Jesus dos pobres.
Afirmo que esses nobres trabalhadores dão
exemplo de moralidade, de virtude e de dignidade
quando, ainda de madrugada, com garra e
determinação pega a vassoura, a pá e a carroça
para trabalhar sem medir esforços e
sacrifícios.É trabalho pesado,sofrido.Por longo
período do dia lá estão eles,suados,com sede e
às vezes, com fome, fazendo o que os “narizes
empinados” não querem fazer nem no pensamento.
São verdadeiros heróis.São verdadeiros
trabalhadores que mereciam ganhar muito
bem,afinal, seu trabalho é tão importante, tão
necessário ,quanto o trabalho do médico, do
juiz, do padeiro, do professor, do
dentista,etc.Ai de nós, se não fossem esses
heróis da limpeza urbana..
Essa gente que discrimina esses trabalhadores,
não tem noção de respeito ao próximo e nem a
Deus. Considera-se o máximo. Vive como se fosse
imortal. Aliás, há muitas pessoas ditas
importantes, que só pisam no chão porque é o
jeito. Não têm consciência de sua limitação
humana e nem se toca, de que são feitas de carne
e ossos. Esses semi-deuses são tão limitados
quantos os pobres. Basta uma dor de barriga e já
está correndo para o banheiro.E se passar um dia
sem tomar banho, a catinga toma conta.
Até digo, que nossos queridos garis vivem a
limpar o lixo produzido por esses semi-deuses.
Ai se não fossem os trabalhadores da rua, essa
gente nojenta iria se afundar no lixo, para
alegria das moscas.
Pergunto: se essa gente se sente tão importante,
por que produz lixo? Por que fede tanto? Não usa
banheiro, por acaso? São diferentes dos pobres.
Vocês queridos garis, meu carinho, meu amor e
admiração. E digo com muita convicção, se alguns
os discriminam, milhões e milhões de verdadeiros
humanos cristãos ou não, os têm em grande estima
e consideração. Parabéns pelo nobre e
significativo trabalho. Precisamos de vocês,
afinal, o que seria de nós e dessa gente
arrogante, vaidosa, orgulhosa e importante, se
não fosse o trabalho laborioso de todos vocês,
queridos irmãos? Por isso, vai o meu apelo no
sentido de que cada prefeitura lhes conceda um
ganho à altura do seu trabalho, para viver com
muita dignidade.Nesta luta em defesa da
dignidade da categoria e por salário digno,
contem com meu apoio profético. Estou com vocês.
Vocês são maravilhosos, lindos, cativantes.
Se eu tiver de pegar carona para ir para o céu,
não buscarei outra a não a carona de um irmão
gari. Não tenho dúvida, estes queridos
trabalhadores, humilhados e maltratados têm um
lugar certo lá no céu.
De pé, comovido, meu aplauso a todos vocês
queridos trabalhadores.
Padre Djacy Brasileiro, apaixonado pelo povo
sofrido de Deus. |
MENSAGEM DE ESPERANÇA |
|

O tema
central deste meu último artigo do ano de 2009,
dirigido aos meus leitores, que acreditam na
minha coerência cristã, trata-se sobre o que
está na crista da onda, neste final de ano: a
esperança de um mundo melhor. Eu diria: A
esperança de Paraíba melhor.
Não quero ser prolixo, enfadonho, até porque
neste tempo de festa, de encontros e
reencontros, as pessoas estão numa correria
tremenda.Por isso,na brevidade da escrita,quero
ser sincero, realista, falando o que mais desejo
que aconteçam neste pedaço de chão
brasileiro,que é minha sofrida e esquecida
Paraíba.
Passei o ano todo expondo os problemas sérios,
graves que afetam a vida do povo do meu país, da
minha Paraíba. Agora, exponho o que mais desejo
para esse mesmo povo que carrega o fardo pesado
da vida sofrida. Aliás, sou pastor, e falo como
pastor que conhece seu rebanho. Um dia Jesus
disse: “Tenho pena deste povo, que é como
rebanho sem pastor”.
Então, eis o que mais desejo para minha “Paraíba
masculina, mulher macho, sim, senhor!”.
1- Que o povo seja liberto da alienação
política, e assim sendo , com sua consciência
critica,seja participativo e viva de olhos
abertos para a realidade que o cerca;
2- Que o povo assuma sua cidadania e
assim, aprenda a lutar pelos seus direitos
inalienáveis, como o direito à saúde, educação,
segurança, emprego, etc.;
3- Que não se deixe enganar por discursos
hipócritas, demagógicos, nojentos de muitos
politiqueiros desavergonhados;
4- Que o povo não fique mais calado,
acomodado, com espírito determinista ou
fatalista, esperando que as coisas aconteçam de
cima para baixo;
5- Que o povo sofredor, no próximo ano,
dê um cartão vermelho aos candidatos com ficha
suja;
6- Que a corrupção desapareçam de todas
as esferas do poder público: legislativo,
executivo e judiciário e com isso, o dinheiro
público seja aplicado devidamente em favor de
todos, mas de modo especial, às classes menos
favorecidas;
7- Que o povo aprenda a dizer um não
sério e responsável à elite política, que só
sabe tirar proveito dos pobres, dos
miseráveis...;
8- Que os governantes se voltem para a
camada mais pobres, implantando verdadeira
políticas públicas, não assistencialismo,
visando combater as causas da miséria, da fome,
da violência...;
9- Que nenhum paraibano passe fome.
Afinal, a fome é causa de muitos males;
10- Que o povo tenha direito a uma saúde
e educação de qualidades;
11- Que o povo pobre, sofredor seja
tratado com muito respeito, com muita dignidade
pelas autoridades constituídas deste pedaço de
chão nordestino, que é a Paraíba;
12- Que a justiça social possa falar mais
alto neste Estado marcado por tanta violência
generalizada contra os pobres, os pequenos, os
excluídos...;
13- Que os pobres sejam tratados com
muito respeito nas diversas repartições públicas
do estado e do município, sobretudo nos
hospitais;
14- Que nenhum pobre morra nas filas dos
hospitais;
15- Que a fé cristã seja instrumento de
libertação e não de alienação. Que os padres,
pastores e cristãos sérios lutem para fazer com
que, em nome da fé, o povo saia de uma situação
de miséria, fome, desemprego;
16- Que as igrejas cristãs preguem um
Jesus Cristo libertador, comprometido com os
pobres deste Estado;
17- Que os cristão, os não-cristãos e
ateus, em nome do amor, se dêem as mãos na luta
contra o cultura de morte,que assola esta
sociedade hodierna;
18- Que o Reino de Deus torne-se uma
realidade concreta e existencial para a
felicidade do povo marginalizado desta querida
Paraíba.
Amém, amém, amém!
Feliz e abençoado
natal, com muita conversão e comida na mesa de
todos.
Deus seja louvado neste tempo de esperança
renovada. Amém!
Padre Djacy Brasileiro
|
ALIENAÇÃO
RELIGIOSA |
 |
Nunca vi, durante toda
minha vida de cristão padre, tanta alienação religiosa.
Tanta euforia espiritual desvinculada de qualquer
compromisso com o verdadeiro Reino de Deus. E por conta
disso, avança, em nome da fé cristã, a exaltação ao
subjetivismo, dando evasão, com isso, ao emocionalismo.
Estamos vivenciando, portanto, não o cristianismo
historicizado, contextualizado, comprometedor e
libertador, desejado pelo Jesus histórico, mas um
cristianismo nas nuvens, descaracterizado na sua
essência, um cristianismo alienante, e por isso, muito
perigoso. É a era do espiritualismo cristão exarcebardo.
O
cristianismo verdadeiro, puro, compromissado com as
causas sociais, com os pobres, os excluídos, os
injustiçados, com a vida do povo de Deus, está cedendo
espaço para um cristianismo platônico, a - histórico,
estéril e inócuo. Agora é uma vivência de fé
extremamente conservadora, alienante, reacionária. Longe
daquele cristianismo idealizado por Jesus, que vendo a
multidão faminta falara: “Tenho pena deste povo, porque
é como ovelhas sem pastor”. Um cristianismo libertador,
que visava libertar o povo sofrido das garras dos
poderosos, um cristianismo do reino de Deus: reino de
justiça para todos: “Eu vim para que todos tenham vida”.
Disse Jesus. Jesus é enviado para anunciar a Boa Nova
aos pobres e os pobres são seus prediletos. Eis, então,
a missão de Jesus, eis o objetivo do cristianismo.
No início da
religião cristã, as comunidades cristãs viviam
profundamente as palavras do Jesus libertador, hoje, no
entanto, falam-se de um Jesus descompromissado com os
pobres, os excluídos, enfim ,com a justiça social. O
Jesus de hoje é anunciado como aquele que cura e faz
milagres na vida da pessoa, um Jesus que não está nem aí
com as causas sociais que geram a cultura de morte. É o
Jesus das promessas de riqueza, de curas, do bem estar
pessoal. Não se falam no Jesus que quer que lutemos
contra a fome, a miséria, a violência, a exclusão... O
culto ou a celebração gira em torno de louvores, orações
prolongadas desvinculadas da vida sofrida do povo,
aplausos, choros, lágrimas, pula pula, gritaria,
chegando às vezes ao histerismo. Até diria, que esses
eventos ditos religiosos funcionam muito mais como
terapia, como alivio de um espírito stressado. As
leituras bíblicas são totalmente descontextualizadas,
sem nexos com o contexto da época e com a realidade
hodierna. Hoje, a leitura é escolhida de acordo com os
problemas pessoais. Funcionam mais com remédio para a
alma. As leituras são lidas e interpretadas de modo bem
adocicadas e alienantes. Até diria, que não é levado em
consideração o contexto social, político, cultural,
religioso e econômico da época em quer fora escrito os
livros sagrados.
As músicas
cantadas hoje,nem se fala, são totalmente alienantes,
voltadas mais para o emocionalismo. Não falam da
realidade de milhares de seres humanos que vivem à
margem da vida, não fazem nem um nexo entre o Jesus
histórico e o seu povo sofredor. O que tenho observado,
é que essas músicas não levam as pessoas a tomarem
consciência de sua realidade cruel, não conscientizam,
pelo o contrário, fortalecem a alienação religiosa e por
que não dizer, também política. Ora a alienação
religiosa leva o povo a ser conformista, reacionário e
cego no que diz respeito a sua própria cidadania. Sabem
quem sai ganhando com tudo isso? A elite política.
Claro, quanto mais um povo alienado, reacionário,
melhor. E assim, esse mesmo povo continua sendo tratado
como massa de manobra.
Enquanto as
pregações são alienantes, desencarnadas, fora de
contexto; enquanto as celebrações ou cultos são
recheados de aplausos, lágrimas, vivas, danças,
promessas de curas, milagres, libertação interior;
enquanto as músicas são voltadas para o emocionalismo,
para as nuvens, levando as pessoas ao comodismo e a
alienação, o povão vai, a cada dia que passa,
mergulhando no submundo da miséria, da fome, da exclusão
social, da cultura da morte. Com isso quero dizer, que
um povo alienado, reacionário, acomodado, com visão
determinista não questiona, não cobra, não reivindica...
Tudo é jogado para Deus, numa dimensão fatalista: “Deus
quer assim... então vamos morrer assim”.
O papel da religião
cristão é alienar, impedir que o povo grite,
reivindique, fique acomodado, esperando que as mudanças
aconteçam a partir do céu, ou fazer o mesmo a ter
consciência crítica, a partir de uma fé libertadora,
encarnada, historicizada? Onde, afinal, está o
verdadeiro anúncio do Reino? O Reino que era o núcleo
central de toda pregação de Cristo?
Agora
pergunto: por que prenderam, julgaram e condenaram o
Jesus de Nazaré? E por que disseram: “prendamos esse
homem, ele anda agitando o povo, é um malfeitor?”.
Jesus morreu
de morte natural, ou foi assassinado pelo sistema
opressor da época? E o que ele fez para merecer esse
tipo de morte, que era aplicada aos bandidos?
Sinceramente, estou cheio de tanta alienação religiosa.
Não agüento mais.
Uma coisa
afirmo, sem medo de errar: Enquanto a alienação
religiosa avança,a cultura de morte vai tomando corpo
para a desgraça do povo de Deus.
Que Deus me
dê a graça da sabedoria e do discernimento, para não me
enveredar por esse caminho tão inócuo, que não agrada ao
Deus da vida, que disse: “eu vi,eu vi a miséria do meu
povo que está no Egito.Ouvi o seu clamor por causa dos
seus opressores;pois eu conheço suas angústias.Por isso
desci a fim de liberta-lo da mãos dos egípcios,e para
faze-lo subir daquela terra a uma terra boa e
vasta,terra que mana leite e mel(Ex.3,7ss.)”.
Para
concluir, cito o que o teólogo da teologia da
libertação, padre Jon Sobrino falou, no livro descer da
cruz os pobre: “Jesus morreu na cruz, não porque Deus
exigia o seu sacrifício, mas “por anunciar a esperança
aos pobres e denunciar seus opressores” (p.318)”.
Padre
Djacy Brasileiro, em 05 de dezembro de 2009.
DA MORTE NÃO ESCAPA NINGUÉM |
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“Orai e vigiai, pois, não
sabeis nem o dia e nem a hora”. Disse Jesus. Como é
notório, todos chegaremos ao final de nossa existência,
querendo ou não. É uma realidade transcendental pela
qual todos passarão: ricos, pobres, agricultores,
doutos, analfabeto , famosos, latifundiários,
presidentes, generais, papas. Não escapa ninguém. Graças
a Deus. Jesus, nas suas palavras supracitadas, queria
dizer o seguinte: a morte é inevitável, por conta disso,
preparem-se.
Infelizmente, neste
mundo muitas pessoas vivem como se não fossem morrer. A
cada dia que passa se preocupam mais e mais com status,
beleza física, poder em todos os aspectos, notoriedade e
com seus bens materiais. No tocante aos bens terrenos,
vivem obcecadas, sempre pensando adquirir mais, ganhar
mais, lucrar mais, para isso, passam por cima da ética,
da moral, explorando os pobres,roubando , praticando
todo tipo de corrupção. Para essa gente gananciosa,
orgulhosa, vaidosa, vale a sentença bíblica: “Vaidade
das vaidades tudo é vaidade”.Para esses semi-deuses, o
que importa é o viver no aqui e agora. O pior, é que
esse comportamento ilusório é praticado por pessoas que
se dizem cristãs. São pessoas que muitas vezes
freqüentam a Igreja ou o templo, rezam, lêem a Bíblia,
se confessam , recebem a Eucaristia e louvam a Deus.
Mais que hipocrisia desses cristãos. Jesus para eles
diz: “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor será
salvo”.
Nas missas de
exéquias, faço questão de chamar a atenção dos cristãos
para a brevidade da vida. E cito muitas expressões
bíblicas, tais quais: “Não temos morada permanente neste
mundo”; “Não dura muito o homem rico e poderoso; é
semelhante ao gado gordo que abate”; “morrem os sábios e
os ricos igualmente”; “morrem os loucos e também os
insensatos, e deixam tudo que possuem aos estranhos”;
“para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”; “nem
todos morreremos, mas todos seremos transformados, num
abrir e fechar de olhos” ; “nós porem, somos cidadãos do
céu”; tudo aqui é efêmero....assim, penso preparar meus
fiés para o último instante da vida e seu encontro
definitivo com o Pai.
Percebo que muitas
pessoas não levam em consideração a morte que virá,
vivendo como se não fossem mortais.Coitados desses
pobres humanos. Assim, vivem encasteladas no seu
orgulho, vaidades, egoísmo, prepotência, apegada
exacerbadamente aos bens materiais. Tanta gente de nariz
empinado, que só pisa no chão por que é o jeito. Basta
estar num carro novo, importado, ou morar numa mansão
para empinar o nariz e desconhecer seus semelhantes,
sobretudo quando se trata de pessoas pobres. Meu Deus do
céu, pra que tanta besteira, tanto orgulho dessa gente
granfina, que fede tanto quanto o pobre, o desvalido. Se
o pobre tem dor de barriga, o granfino também tem. Tenho
ojeriza a essa gente com esse comportamento anticristão,
desumano. Dessa raça, quero distância. Tenho nojo.
Para que tanto
orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ambição.
Quantas pessoas, pelo fato de ganhar bem, morar em
mansões, possuidoras de diplomas, de anel de ouro, ter
bons empregos, ocupar cargos importantes na sociedade
mal falam como os pobres, com os humildes, os pequenos,
os descamisados ou excluídos dos seus direitos
inalienáveis. Muitas vezes essa gente, que vai morrer,
apodrecer, feder tem até nojo de pegar na mão dos seus
seu semelhantes, pelo fato de serem pobres. Há
patricinha ou mauricinho, que quando está no seu carro
importado, mais parece um robô: empina o nariz, endurece
a cara, e mal olha para as pessoas. Parece que não é
mortal. Besteira das besteiras, tudo é besteira. Um dia
a morte pega esses granfinos e sua carne vai
apodrecer para a felicidade dos germes. Duvido que seu
dinheiro, sua beleza física, seu anel de doutor venha em
seu socorro. Essa gente pensa que não morre, que não tem
julgamento por parte de Jesus, que disse: “Ai dos que
maltratam os pobres”.
Uma coisa eu digo e
sem medo de errar. O cemitério é o lugar onde todos
moram bem coladinhos: pobres, ricos, doutos, gente
importante de narizes empinados. Pensem num lugar, onde
todos são iguais? Agora, o negócio não é no cemitério é
na outra vida. Certamente, os pobres terão prioridade na
casa do Pai. Lembremo-nos da famosa parábola do
famigerado rico e do pobre Lázaro, contada por Jesus.
Então, reflitamos, antes que seja tarde..
A morte é justa e
vem para todos indistintamente. É o que diz o Salmo
48(49):
“Ninguém se livra
da morte por dinheiro. Nem a Deus pode pagar o seu
resgate; A isenção da morte não tem preço; não há
riqueza que a possa adquirir, nem dar ao homem uma vida
sem limites e garantir-lhe uma existência imortal.
Morrem os sábios e os ricos igualmente; morrem os loucos
e também os insensatos; e deixam tudo que possuem aos
estranhos”.
Quero ver os
figurões, os granfinos, os importantes, os mandões, os
não me toquem, os narizes empinados escapar dessa. “Se
correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. E eu não
estou nem aí.
Padre Djacy Brasileiro
O
POVO MORRENDO E A CLASSE
POLÍTICA CALADA |
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Sofrimento, miséria, dor,
exclusão social, injustiça,
violência, lágrimas e mortes.
Eis a cruel realidade que agride
a vida de milhares de
paraibanos. Só para título de
exemplo, cito uma pesquisa
recente que mostra um dado
assustador ,que nos chama a
atenção: “
A Paraíba ocupa o 3º lugar no
ranking dos estados com maior
taxa de insegurança alimentar e
nutricional, ficando atrás do
Maranhão e Roraima, e no
Nordeste ocupa o 2º lugar. E
mais, “17,84% da população, que
equivale a 637.384 pessoas,
passam fome na Paraíba”.
E
mais, “Pesquisa
divulgada nesta sexta-feira, dia
18, pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE)
revela que a Paraíba possui a
segunda pior distribuição de
renda do país, ficando à frente
somente do Distrito Federal”.
O cenário é de
desolação, sombrio.
Sensacionalismo? Emocionalismo?
Não! Trata-se de pura realidade.
Sou testemunha ocular, pois não
moro em frente ao mar, em
edifícios luxuosos, nem tão
pouco freqüento restaurantes
chiques com as mais deliciosas
comidas. Convivo noite e dia com
essa gente espoliada, agredida
nos seus direitos mais
elementares como comida, água,
educação... Essa gente sofrida
está ao alcance dos meus olhos.
Todos os dias a vejo, tanto na
zona urbana, como na zona rural.
E eles estão aí, gritando
pungentemente por vida e vida
com dignidade.
Mas, onde encontram
nossos representantes diante
desse grito ensurdecedor? Onde
estão aqueles que deveriam
defender, proteger, libertar
esse povo do calvário? O Povo
grita por vida, por dignidade e
os seus representantes o que
fazem? Estão todos preocupados
em ouvir esse clamor? Estão
buscando implantar políticas
públicas de combate à miséria?
Afinal, os representantes dessa
gente esmagada estão ou não
estão preocupados em minimizar o
sofrimento desse povo, aplicando
corretamente os recursos
públicos destinados à educação,
saneamento básico, saúde,
segurança alimentar, segurança
pública, ete?O povo, no momento,
está sendo objeto de
preocupação, para a classe
política?
Agora respondo sem
medo de errar. Primeiro, dou uma
gargalhada, depois um suspiro e,
logo em seguida, um sentimento
de revolta. A resposta é: nossos
representantes, se se podemos
chamá-los de representantes,
estão muito preocupados sim.
Mas, essa preocupação não é com
o povão, com sua fome, miséria,
abandono, e sim, como o poder,
com a “botija”. Ora, quem quer
perder a “boquinha”? Para isso,
estão a todo vapor
lutando,brigando para permanecer
ou galgar o poder. Então, o que
podemos dizer é que hoje, não se
falam em outra coisa a não ser
em eleição vindoura. Tudo está
girando em torno do projeto
pessoal: vencer nas eleições
para continuar mamando, e que o
povo se dane com seus problemas.
Nada de preocupação com a
população. Tudo está no
esquecimento: fome, miséria,
desemprego, violência, morte.
Nem sequer a transposição
é mais lembrada. Parece que o
mal de Alzheimer apoderou-se de
nossos representantes. Todos
estão esquecidos, esquecidos.
Por incrível que pareça, é até
um desafio para a medicina,
sabem o porquê? , porque só se
lembram de uma coisa: eleição. A
prioridade agora é a eleição e
que os miseráveis se danem com
seus problemas.
É revoltante, pois
se ligo o radio, a TV, se abro o
jornal ou vejo os portais de
notícias, não vejo outra coisa a
não ser discussões acirradas em
torno das eleições. Parece que
não há problemas sérios,
gravíssimos na nossa Paraíba.
Pois, ninguém fala nada, aqui
acolá, aparece uma voz isolada
clamando em defesa dos irmãos
paraibanos, que noite e dia
choram pedindo clemência. Não
pedindo assistencialismo, mas
políticas públicas capazes de
libertá-los de uma situação
infra-humana.
Como padre neste
sertão, nesta Paraíba, vejo de
perto o drama de milhares de
seres humanos. Tanta injustiça
contra essa gente espoliada em
seus direitos inalienáveis.
Diante desse cenário macabro, eu
grito: senhores deputados,
prefeitos, governador,
vereadores, senadores
preocupem-se com os problemas da
Paraíba, deixem de lado o que
pode ser discutido no próximo
ano. Será que a vida humana não
é prioridade para vocês? Vocês
são surdos que não ouvem o grito
dessa gente? Cadê o compromisso
com o Estado, com os municípios?
Vão trabalhar, em vez de estarem
batendo boca ,perdendo tempo
.Para vocês ,parece o que
importa é somente o poder com
seus inúmeros privilégios.
Acordem, abram os ouvidos para
ouvir o grito de 640 mil
paraibanos que passam fome.
Saiam do comodismo. Deixem as
regalias de lado, os
restaurantes luxuosos e coloquem
os pés no chão batido, rachado
desta Paraíba, para sentir de
perto o drama de milhares de
paraibanos. Deixem de olhar
somente para o próprio umbigo.
Aos deputados, meu
recado: Senhores deputados em
vez de vocês ficarem preocupados
só com entrega de títulos de
honrarias a certas personalidade
,em vezes de estarem
preocupados com conchavos
políticos, preocupem-se com seu
povo que está morrendo.Lutem
por esse povo.È obrigação de
vocês.
Faço um pedido
clamoroso à imprensa: pelo o
amor de Deus, volte-se mais para
os problemas do Estado. Esqueça
essa balburdia política, esse
funaré político.
Meu povo está
morrendo! E morrendo, faz sua a
voz do profeta das lamentações:
“Ó vós, que passais pelo
caminho, vede e julgai se existe
dor igual, a dor que me
atormenta”.
SERTANEJOS NA LUTA PELA
UNIVERSIDADE FEDERAL |
Utopia, bobagem, perda de tempo,
maluquice? Que nada! Lutar pela
implantação de uma Universidade
Federal no sertão paraibano não
é um sonho ou bobagem, já é uma
realidade presente na mente e no
coração de muitos sertanejos, a
exemplo do Professor de Direito
da UFCG Joaquim Alencar, que com
sua sabedoria, inteligência vem
arregimentando adeptos em defesa
desse projeto para nosso sofrido
e esmagado sertão.
Não nos esqueçamos, que esse
sonho pode tornar-se realidade
concreta e existencial, quando
houver a força da união de todos
os sertanejos. Então, nossa luta
tornar-se-á bobagem, maluquice
para aqueles que não conhecem a
realidade nua e crua do sertão;
a braveza, coragem e
determinação dos sertanejos e
desejam que nosso sonho não se
concretize. Talvez esses
opositores pensem, que somos
mais do que malucos, somos um
bando de pessoas atrasadas,
ignorantes, querendo que caia
chuva de gelo em pleno deserto..
Numa lacônica restropectiva,
visando atiçar nossa consciência
cidadã e cristã, para uma
reflexão sociológica crítica e
assim, tomarmos gosto por essa
luta renhida, confesso que, por
muito tempo, fomos humilhados,
esquecidos, tratados como coisa
ou objeto; tidos como mão de
obra barata,por isso, explorados
no sul do País; ignorados,vistos
como seres inferiores,de
inteligência atrofiada; e ainda
hoje,muitos nos têm como homens
e mulheres que só sabem o que é
rapadura , farinha e carne
seca.Quantas vezes os filhos do
sertão foram tratados com desdém
pelos governantes em tempo de
seca.O povo sertanejo chamado de
“cassaco” era tratado como bicho
do mato: eram obrigados a come
um arroz miserável chamado buga(
nem bicho bruto comia). Em termo
de educação, não havia a mínima
preocupação em oferecer a essa
gente sofrida uma formação
intelectual capaz de tirá-los do
atraso generalizado. Taxados de
atrasados, eram visto como massa
de manobra para deleite de uma
elite podre, nojenta.E o sertão
era visto como terra de gente
não “lapidada”.
A partir dessa análise
histórica, nós sertanejos, mal
vistos e excluídos, temos que
dar um grito de libertação,
mostrarmos que somos um povo
forte, heróico, trabalhador,
inteligente e de alto
potencialidade intelectual. Por
isso, basta de humilhação, de
gozação, de exploração. E vamos
a luta,pois chegou a hora da
redenção sertaneja.E essa
redenção histórica no âmbito
sócio-político-econômico e
cultural passa, notadamente,
pelo caminho da educação.
Trata-se de uma luta pela
criação de uma Universidade
Federal no nosso sertão. Pois,
afinal, temos toda uma
capacidade para fazer funcionar
a todo vapor, essa instituição
acadêmica. Repito: homens e
mulheres de alto gabarito
profissional é o que não falta.
Ate diria, sem medo de errar,
que o sertão é exportador de
grandes cérebros em diversas
áreas profissionais, brilhando
em todo recanto deste País.
Tenho ouvido muito, nas minhas
andanças pela capital do Estado,
que os sertanejos são os alunos
que melhor se esforçam para o
estudo. São mais estudiosos,
dedicados e não medem sacrifício
para realizar o sonho de ter um
curso superior. São estrelas
brilhando no mundo acadêmico,
para orgulho da nossa região. E
isso comprova o que tenho
afirmado anteriormente.
Lamentavelmente, são poucos os
que têm a oportunidades de
realizar o sonho de freqüentar
uma Universidade pública. Até
diria,com muita convicção ,que
são os filhos da elite ,que
tomam os lugares dos pobres nas
universidades.E digo: os pobres
pagam para os ricos estudarem .
Voltando a Universidade Federal,
creio que seja imprescindível
que nos unamos em defesa dessa
idéia, desse projeto. Pois tudo
é possível, quando há união e
interesse em torno de uma causa.
O advogado e professor de
direito Joaquim Alencar está
coberto de razão, quando diz
,com muita propriedade, que
“apenas 1,6% dos nossos jovens
com idade de estar em
universidade estão no estudo
superior... 98,4% estão
excluídos...isso é um crime que
clama a Deus”.
Abracemos essa causa, com
espírito determinista e
persistente, acreditando que um
dia, com a nossa luta, à custa
de sacrifício, humilhação e
gozação, poderemos celebrar a
festa da libertação no nosso
querido povo sertanejo, pois,
educação é sinônimo de
progresso, consequentemente, de
qualidade de vida. É isso que
nós desejamos para a futura
geração deste abençoado torrão.
Unamo-nos ao Professor Joaquim e
a tantos outros que, por amor ao
povo sertanejo, estão à frente
dessa empreitada, para o bem e
felicidade da nossa futura
geração sertaneja..
“Sonho que se sonha só,fica na
ilusão,mas um sonho que sonhamos
juntos,começa sua encarnação”.
Disse Dom Hélder Câmara.
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